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DESENHOS SÉRIOS COM
UM PEQUENO RECURSO DA MEMÓRIA
Neste grupo de desenhos feitos com esferográfica, interessou-me, brincar
com as linhas em movimentos circulares quase obsessivos, hipnóticos,
como se invocasse forças da natureza num ritual xamânico. Implicar-me,
comprometer-me, sintonizar-me de uma forma emocional com os mesmos
movimentos circulares inscritos na tapeçaria artesanal portuguesa do
sul, nos bordados populares do norte do século passado ou mesmo nos
desenhos existentes em algumas grutas pré-históricas.
O pensamento pára, bloqueia ou simplesmente é inconsciente. Divaga e
viaja.
A coerência no discurso do artista poderá passar pela colocação de
marcas nos diversos meios ao seu dispor. Marcas definidoras da
existência e que sofre mudanças intrínsecas à matérica condição orgânica
em constante mutação. Ou identidade singular que se transmuta nas
diferentes e variadas aprendizagens e relações sociais estabelecidas ao
longo da vida. Somos seres vivos e seres sociais.
Nesta relação, o desenho além de ser mais um meio, é uma ferramenta para
explorar o tempo que tece a nossa própria existência.
Permite relacionar percepções e intuições, movimentos internos e
intimistas, sem medo de regressar a questões já exploradas, convocar a
memoria visual periférica, a memória sensorial... Explorar ainda o
lúdico, o social ou político.
O desenho é pensamento. Mas o que é o pensamento? Por vezes o pensamento
não é coerente, mesmo que focado no centro do assunto.
Matosinhos, Abril 2009
João Baeta
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João Baeta
Lisboa, 1963
Artista plástico, com apresentações públicas do seu trabalho de forma
mais regular, desde 1990
Fundador dos Maus Hábitos – espaço de intervenção cultural, com Daniel
Pires e Isaque Pinheiro e membro da equipa até 2003.
Fundador do Instituto Antimatéria em 2005
Responsável pela programação do Espaço Ilimitado - núcleo de difusão
cultural desde 2006
Responsável pela programação do Quarto Escuro - project room.
Curador independente desde 2006
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